Essais Au Piano : Dez/03
Entrevista concedida à jornalista Josiane Duarte
Dez/03
(incluída na faixa interativa da versão francesa do CD Ensaio Pianístico)
1- Como surgiu o nome Ensaio Pianístico para seu primeiro disco de piano solo?
EP é um termo técnico. Existem três tipo de classificação para a duração de um disco. Tanto pode ser um Single, com apenas uma ou duas músicas totalizando até 10 minutos de duração; como pode ser Long Play (LP), com um número maior de músicas totalizando em média entre 50 e 70 minutos de duração; como pode ser um Extended Play (EP), com duração média entre 20 e 30 minutos. Esse último exemplo é justamente o caso desse meu disco, com três faixas e com pouco mais de 20 minutos de duração, e foi da sigla EP que escolhi o nome: Ensaio Pianístico, que tanto me serviu para a versão brasileira como para a francesa (Essais au Piano).
2 – E todas as músicas são de sua autoria?
Sim, todas as músicas são de minha autoria, com excessão de Lamento, que fiz em parceria com Paulo Andrade, um grande baixista que tenho enorme prazer em conhecer. Cabo da Boa Esperança data de 2001 e fiz em homenagem a um grande amigo e guitarrista, Maximiliano Santiago, que infelizmente faleceu em dezembro do mesmo ano. Lamento, composta em 2002, foi dedicada à memória de Max. Cabo da Boa Esperança aparece no disco tocada somente no piano, mas compus originalmente para piano e guitarra e tive o grande prazer de gravá-la com o próprio Max tocando a parte da guitarra. Na versão francesa do cd essa gravação aparece na faixa de multimídia sob o formato de mp3 e pode ser ouvida através do computador. Tenho um orgulho e carinho enormes por essa gravação. Musa foi composta em 2003.
3 – Musa também é dedicada a alguém especificamente?
Sim, dediquei à minha ex-namorada, Luciana Muniz Vanoni, depois de alguns meses da nossa separação.
4 – Perdoe pela pergunta um pouco pessoal, mas ela continua sendo sua ex-namorada depois desta bela dedicatória?
Continua.
Infelizmente algumas coisas da vida real não condizem com as histórias que vemos nos filmes e lemos nos livros.
5 – Pode falar um pouco mais sobre Maximiliano Santiago?
Conheci o Max em 1999 pouco antes dele descobrir que tinha câncer. Foram dois anos lutando bravamente contra a doença, até que veio a falecer em dezembro de 2001, com 22 anos de idade recém feitos. Apesar de todas as dificuldades conseguiu gravar um cd completo com suas músicas para guitarra e banda, num estilo rock/blues instrumental. Cabo da Boa Esperança também está presente em seu cd, a mesma gravação para piano e guitarra que tem em mp3 na versão francesa do EP. Ah, sim, seu disco tem contrato com o INCA (Instituro do Câncer) e toda a renda gerada por ele, que será lançado nos primeiros meses de 2004, será revertida para esta instituição. Uma das minhas missões pessoais de vida é nunca deixar que sua luta e sua obra sejam esquecidas. É uma espécie de homenagem permanente que sempre farei a ele. Estou atualmente compondo outras músicas que farão parte de um ciclo maior juntamente com Cabo da Boa Esperança, mas ainda preciso trabalhar bastante em cima disso.
6 – Você já tem planos para gravar essas outras músicas?
Sim, pretendo gravá-las tão logo fiquem prontas. Aí sim poderei lançar meu LP completo, com todas as músicas que tenho em mente. Espero que até 2006 eu já tenha composto tudo. Vai ser trabalhoso, pois são mais 40 minutos de nova música para piano solo!
7 – E enquanto seu long-play não fica pronto, existem planos para você excursionar divulgando o EP (Ensaio Pianístico)? Alguma chance de tocar na França ou em algum outro país da Europa?
Para 2004 já tenho vários recitais aqui no Brasil sendo agendados em mais de 20 cidades de diversos estados. Existem planos para que eu toque na França e na Alemanha, mas nada de concreto ainda. Se dependesse somente de mim eu realmente tocaria as músicas do EP por todas as cidades que estiverem ao meu alcance, mas por enquanto ainda estou aguardando o convite.

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