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Clarice Lispector

Clarice Lispector no CCBB Nesta terça feira tive uma tarde surpreendente no Centro Cultural Banco do Brasil, quando fui ver a exposição sobre a Clarice Lispector que está rolando lá (e que termina neste final de semana, pelo que sei). A exposição é feita basicamente de citações da grande escritora, mas fora isso tem uma longa entrevista em vídeo, a última que ela concedeu, e uma sala fascinante com memorabília diversa, como originais de seus livros, cartas, cartões postais, pensamentos anotados em pedaços de papel… Imagine uma sala de tipo 15m x 6m, com pé direito de uns 4m e tendo suas quatro paredes cobertas por estantes com gavetas até o teto. Mas completamente mesmo! Algumas dessas gavetas, de forma esparsa, eram abríveis e dentro delas encontravam-se justamente estes ítens pessoais. Era uma visão muito incrível, a da sala. Fiz uma foto furtiva com meu celular. :-)
Fiquei muito emocionado com a exposição, por perceber o esforço criativo que essa mulher notável tinha para conseguir criar sua obra e todo o impacto emocional que resultava deste processo. A gente vê que, não importa a grandeza do artista, é sempre uma labuta, um sofrimento, uma incerteza dos frutos que serão dados… Ela está sempre na dúvida sobre o que faz, sobre quem é, fica tentando se decifrar incessantemente… É muito tocante a maneira plena com que ela se lança nesta profunda auto-análise. A gente percebe isso em frases como “Será preciso coragem para fazer o que vou fazer: dizer. E me arriscar à enorme surpresa que sentirei com a pobreza da coisa dita“. Essa dúvida, essa sensação de estar aquém (e que justamente impulsiona em direção à transcendência), aparece na obra de tantos artistas incríveis… Bouguereau, um dos maiores mestres da pintura (dizem que ninguém captou a incidência da luz como ele), escreveu certa vez em seu diário: “Quando vai chegar o dia em que poderei fazer algo digno de um homem maduro? Quantas coisas ainda preciso aprender antes de chegar a este estágio?“. Essa aflição e inquietação é mesmo inevitável, afinal. Está presente no dia a dia dos escritores, dos graduandos e seus projetos finais, dos mestrandos, doutorandos, atletas… em qualquer um que esteja em busca de superação. Acho que neste mundo há as pessoas que fazem e realizam coisas e as outras que ficam vendo as outras fazerem (tipo as pessoas que ficam vendo Big Brother ao invés de, elas próprias, viverem suas vidas). Ser do grupo de quem produz coisas sempre trará medo, insegurança, incerteza. Os heróis só são heróis porque se arriscam. E, portanto, estão sujeitos à glória de ver que podem colaborar para deixar o mundo menos embrutecido e mais rico.
Saí de lá muito emocionado e com uma vontade enorme de produzir, tocar, criar. Deparar-se com a grandeza alheia nos estimula a encontrar a nossa própria imensidão humana. Obrigado, Clarice.
Ah, sim, amanhã me apresento de novo. Um recital muito importante e, definitivamente, o último deste ano de 2008 que já se inclina para fazer seu aproach final. Espero vê-los por lá. Eis os dados e até amanhã!

Dia 25 de setembro de 2008
Quinta Feira – 12h30 – Entrada Franca
Série Música no Museu
Museu Nacional de Belas Artes
Av.Rio Branco, 199 – Centro – RJ

Comentários

Comentário de Michel
24/09/2008, 10:12

Rapaz…

Quando rola o concerto em Paris?

Estou organizando minhas ferias… Ou melhor, ainda sonhando… Mas logo as coisas se concretizam.

Abraco.

Michel

Comentário de Miriam Alves Berg
24/09/2008, 12:37

Guten Tag!
Que inveja dessa exposição! Muito lindinho seu texto. Fiquei com muita vontade de ver, mas tenho que me consolar e entender que ela não vai passar por aqui. Quem sabe se a embaixada do Brasil não se anima?
Boa sorte no recital de amanhã!
Miriam.

Comentário de NRO…
24/09/2008, 13:09

Bom dia, Luiz…
Quanta infelicidade a minha. Acredita que estarei de folga na sexta? Coisas da vida que nos dão “água na boca???.
A força do pensamento de nada adiantou, e o meu desejo de prestigiar o teu recital não foi atendido, nem mesmo com os pedidos ao ver estrelas cadentes…
Sobre a exposição, estou ansiosa para enriquecer minha alma com os pensamentos e sabedoria deixados por essa mulher.
Se possível irei ao Rio esse findi, no sábado ainda terá essa exposição?
Gosto da seguinte frase de Clarice Lispectro…
“Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”.
Um abraço!

Comentário de Dandara
25/09/2008, 0:59

Belo texto…

Comentário de Patricia
25/09/2008, 13:26

Adorei o texto!! Você tava morrendo de vontade de ir e por pouco nao fui com vc…
Ai, foi uma pena mesmo. Até pq nao tem companhia melhor para ir a uma exposiçao, vc se empolga, fica horas pensando e falando naquilo… é bom demais!! Se juntar com o Bruno entao :P
Mas com o pouco tempo que tinha e encantada como estava com a cidade, queria ficar mesmo era do lado de fora.
Nunca vi lugar tao lindo…
Reli o cartao que vc me mandou de Copacabana dizendo “te espero no Rio”… Aconteceu :D
Boa sorte amanha no concerto, arrase ABSURDO!!
aiiiiii como eu quero ir!!!
Manda noticias de como foi ta??
De qualquer forma vou ficar espiando por aqui…
beijos

Comentário de Luiz De Simone
26/09/2008, 14:06

Michel, ainda não tenho a confirmação de Paris. Pelo jeito que a coisa anda, não sei não… Isso tudo já era para estar acertado. É claro que você será dos primeiros a saber assim que eu tiver alguma definição. Caso tudo se confirme, você PRECISA conseguir essas férias!

Miriam, infelizmente não vejo a exposição da Clarice viajando, sobretudo com essa estrutura super legal que foi montada aqui. E com certeza ser desta forma valoriza muito a exposição. Mas, bom, a Clarice era casada com um diplomata que rodou bastante por aí. Acho que ela é bem conhecida aí na Europa. Não apostaria nisso, mas quem sabe, né?

Carla, por pouco mesmo! Mas não se preocupe, não faltarão oportunidades (pelo menos eu espero que não). Obrigado pelo carinho. Sim, a exposição da Clarice, pelo que sei, vai até este domingo. Confirme no site, no entanto. Vale muito a pena ir. Se estiver mesmo no Rio, vá!

Patricia, la petite fille aux yeux verts, obrigado pela doce mensagem. Eu te falei que teria valido a pena ir à exposição, mas concordo com você que, estando no Rio pela primeira vez, seja mais importante conhecer a geografia natural da cidade. E, afinal, por esses lugares onde você anda por aí – França, Italia – não devem faltar exposições maravilhosas para se ver. Se bem que, da Clarice, só aqui mesmo. =)

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